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PROJETO "Chineses do Paraguai"
Os dias que antecedem a qualquer projeto missionário, seja em
nosso próprio país ou transcultural, sempre são cercados
de grandes expectativas planejamentos, telefonemas, trocas de e-mails,
busca de recursos financeiros, informações detalhadas do
país e do local a ser visitado, quem e quantos irão e principalmente,
muita oração. Com este projeto, não foi diferente.
Cada projeto é bem peculiar. Sonhamos com o toque de Deus nos que
serão alcançados, nos preparamos para batalhas espirituais,
contratempos e o que Deus fará em nossas próprias vidas.
A Base Asiática, ministério LVO, da Missão Horizontes,
tem procurado realizar projetos a curto prazo em outros países
onde há colônias orientais, para as turmas que encerraram
o período de treinamento. Queremos que os seminaristas após
o treinamento teórico e prático, feitos no bairro da Liberdade,
possam aplicá-los mediante uma pequena experiência em curto
prazo. Queremos que aprendam a lidar com as dificuldades do campo, administrem
os possíveis choques culturais e confirmem a chamada para tempo
integral. O Senhor providenciou todos os recursos para chegarmos e permanecermos
em nossa área alvo.
Os missionários e dois dos profissionais ficaram na Base da Horizontes
do Paraguai, os demais ficaram em Foz do Iguaçu. O trabalho feito
no Paraguai foi bem distinto do realizado no Peru. Desta vez, além
dos oito missionários, também nos acompanhou sete profissionais
que fazem parte do conselho da Base. Dois casais levaram seus filhos que
também puderam conhecer uma nova cultura. Todos nós ampliamos
a visão missionária e sentimos na prática as dificuldades
e as alegrias do campo, bem como as batalhas espirituais decorrentes da
ministração do evangelho a um mundo perdido, sem conhecimento
do Deus vivo.
Os paraguaios são extremamente místicos. Podemos citar
como exemplo, o que fazem quando uma criança morre. Eles crêem
que elas tornam-se anjos da guarda, e então são construídas
pequenas capelas, no lugar em que morreram ou são enterradas nas
suas próprias casas. As pessoas que passam por estes locais invocam
a criança e fazem pedidos, pois agora podem fazer milagres. Nas
datas de aniversário destes "anjos", enfeitam o local
e fazem uma festa com comida e bebida. Há muito envolvimento com
feitiçaria misturada com o catolicismo dominante no país.
Podemos perceber, no entanto, que estão prontos para receberem
o evangelho verdadeiro.
Nosso alvo era os orientais que residem ali e fazem do comércio
o seu ganha pão. Depois de nos instalarmos, fizemos nossa primeira
reunião para orarmos e divulgarmos o cronograma do projeto e a
divisão de trabalhos dentro da Base. Moacir, um dos responsáveis
pela Base, sua esposa e seus dois filhos maiores, engrossaram as nossas
fileiras e passamos para dezenove soldados do Senhor. Ele foi fundamental
para que a obra toda se concretizasse.
Iniciamos o projeto conhecendo a área que iríamos evangelizar.
No domingo, falamos em três igrejas chinesas comunicando o que estávamos
para fazer. O pastor Tito foi de grande ajuda nos aproximando de alguns
irmãos que nos acolheram com muito amor. Devido a viagens anteriores,
encontramos em cada uma das igrejas irmãos que se alegraram com
a nossa visita. Um deles, dono de um restaurante nos brindou mais de uma
vez com uma sortida comida chinesa. A cada manhã, após a
devocional e um gostoso café da manhã, invadíamos
o comércio chinês. Nos reuníamos em uma galeria, orávamos
e saíamos em grupos de duas a três pessoas. O impacto foi
tremendo. Os chineses se comunicam com agilidade. Muitos estavam curiosos
para saber o que estávamos fazendo.Encontramos alguns irmãos
em suas lojas e estes nos apresentavam a seus amigos. Toda a desconfiança
natural dos orientais era assim eliminada. Os contatos sem esta estratégia
eram iniciados mediante a compra de pequenas coisas e início de
um relacionamento que ia sendo desenvolvido com o decorrer da semana.
Dois casos especiais alegraram muito os nossos corações.
Um rapaz que nos foi apresentado por uma irmã chinesa, que segundo
ela, tinha um coração muito duro e não levava as
coisas de Deus a sério, ficou muito impressionado com a história
da língua chinesa original e suas implicações no
relacionamento com Deus. Com grande entusiasmo passou as informações
que recebera a um amigo e passou a fazer muitas perguntas. Bun-Li e o
Flavio, nos dias que se seguiram, desenvolveram a amizade e continuaram
a falar de Deus. Tive o privilégio de compartilhar com ele o evangelho
e ele veio a receber o Senhor em seu coração. O outro caso,
fortificou ainda mais a nossa fé e a dos três conselheiros
do LVO, o Bun-li, Chana e o Liu. Um chinês, dono de uma grande organização,
que eles conheciam, pessoa que tem contato com o presidente de Taiwan,
parou para nos ouvir, em meio da turbulência do seu escritório.
Falamos do que Deus fez e tem feito em nossas vidas e percebemos que ele
ficou muito impressionado, principalmente com o testemunho do Liu. À
noite, durante uma segunda conversa, o Liu falou novamente sobre Jesus
e ele tomou a decisão mais importante de sua vida. Hoje faz parte
da família de Deus.
Valeu a pena! Deus realmente é maravilhoso! Ele realiza a sua
obra através de todo aquele que se dispões a servi-lo com
inteireza de coração.
Creio que cada participante teve sua própria experiência
que afetará suas vidas de maneira singular."Agora, disse a
Deise, uma das profissionais que nos acompanhou, - Eu sei um pouco o que
é ser um missionário. A guerra espiritual é real.
Quando um missionário me solicitar oração, vou saber
o que ele está querendo dizer e o que está passando".
O grupo deu o curso de evangelismo e discipulado para a família
do Moacir e para alguns irmãos paraguaios, incluindo um pastor.
Os chineses não puderam participar por estarem, em sua maioria,
de férias ou em acampamentos.
Joaquim, Mario e o Lucas, um dos filhos do Moacir, após o projeto,
permaneceram no país, indo para o interior, ajudando uma missionária
brasileira, a terminar algumas dependências da igreja que está
construindo.
Faltando três dias para voltarmos, fomos convidados para falar
a um grupo de jovens chineses de uma das igrejas que visitamos, e perto
de seis deles se converteram.
Estamos iniciando um novo ano. Na segunda semana de fevereiro, uma nova
turma irá ser treinada como as anteriores a fazer o mesmo trabalho
no bairro da Liberdade e em outros pontos onde os orientais trabalham.
Estamos orando pelo próximo projeto com este novo grupo. Quem sabe
será na Bolívia ou na Venezuela.
Orem para que os que já terminaram tenham os seus sócios
de ministério. Vários deles já estão prontos
para irem para a China, mas ainda não têm o sustento necessário.
Em Cristo
Raul e Graça Nogueira
Missão Horizontes
Base Asiática - Ministério LVO
asiaticalvo@mhorizontes.org.br
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